Especial: Visk tem 16 anos, é técnico da Deuses e campeão da Copa NFA

16 anos, técnico e campeão da NFA. “Muito prazer, Visk“. O título da Deuses no último domingo de Copa NFA trouxe à tona a história de um garoto que, na minha humilde opinião, tem tudo para se tornar um dos melhores técnicos do cenário de Free Fire.

Raphael Aguiar, o Visk,  é natural de Recanto das Emas, no Distrito Federal, onde conheceu o Free Fire no final de 2017 e começou a jogar com os amigos por diversão.

Dedicação acima das dificuldades

O desejo pelo competitivo surgiu meses depois, quando o competitivo começou a ganhar forma com o lançamento da Pro League. Interessado e focado em desenvolver uma carreira como profissional, Visk dedicava horas ao Free Fire, mesmo com o fator financeiro sendo um problema em evidência.

“Eu jogava de 13h às 00h ao lado de um muro da casa de um vizinho, me sentava em uma cadeira de plástico, no frio, para pegar o sinal da internet dele, que não funcionava dentro da minha casa.”

O trabalho árduo para se tornar um atleta, apesar das dificuldades, o trouxe muito conhecimento. 

Há um ano atrás, Visk decidiu que abandonaria os campos para se dedicar ao trabalho como comissão técnica. Igual a todo mundo, começou com times menores. Depois de um tempo, abraçou uma proposta da PM, e mais tarde o chamado da Deuses, onde está há nove meses.

Visk começou como analista e até o último mês trabalhou lado a lado com Xande, ex-técnico da equipe, que deixou o time e a responsabilidade de liderança nas mãos do prodígio de 16 anos. 

Raphael diz que aprendeu muito com o ex-companheiro de equipe durante os nove meses de trabalho. O garoto relata que Xande o ensinou muito sobre o papel do técnico, sempre com muito carinho, paciência e preocupação.

Visk esboçou não assumir o papel de técnico da Deuses pela falta de experiência. Entretanto, acabou aceitando o desafio, motivado não somente pela confiança em si mesmo e no seu trabalho, mas também pela Deuses e o ambiente familiar, reflexo do elenco.

“Eu gosto do que eu faço, amo o competitivo. Estudo demais, são dias e noites em busca da perfeição. Fico muito feliz que os resultados estão melhorando cada vez mais.”

O grande dia

Visk não acompanhou a Deuses na Arena Bluestacks e teve zero contato com a equipe durante todo o presencial, uma vez que não eram permitidas comunicações externas.

Imaginando que não teria acesso ao seu elenco, o treinador preparou um documento “com todas as informações necessárias que o time necessitava saber para a grande final”.

Depois da sétima queda, a grande maioria acreditou que a Dollars conquistaria o título. Finn, Rabelo, Santos e CHOQ estavam 35 pontos atrás do rival, que estava muito bem naquela noite. Mas é tudo muito imprevisível na NFA. Igual a um trem-bala, a Deuses fez uma apresentação ridícula e alcançou a rival, que por um ponto perdeu a chance de conquistar a segunda NFA do ano. Independente da descrença do público, Visk nunca desacreditou da sua equipe. 

“Eu não desacreditei do título em momento nenhum, porque sabia que os meninos saberiam o que fazer na última queda. Fizemos uma boa partida e conseguimos o BOOYAH! com 13 abates. Independente da vantagem de 35 pontos do time adversário, era fato que precisaríamos vencer a queda se quiséssemos o título, felizmente deu tudo certo no final.”

Trabalho duro, evolução a longo prazo

Visk manteve os pés no chão ao final da entrevista e trouxe a tona todos os problemas que atrapalhavam a evolução da Deuses. Entre os problemas estavam a comunicação, o trabalho em equipe e o final de partida.

“Montei uma rotina de treinos específicos ao longo da semana de preparação para a final da Copa NFA para que conseguíssemos consertar isso a tempo.”

O técnico exalta que o time apresentou uma evolução surreal durante os treinos. Isso fez com que todo mundo chegasse para disputar o presencial com uma confiança enorme, sem nervosismo ou preocupação com os erros que estávamos cometendo. 

Foto: Juliana Pedutti/ABCM Agência

“O foco para essa final era buscar constância em cada partida, porque se você zerar uma queda, isso te prejudica no final, trazendo uma chance bem maior do campeão ser aquele que teve uma constância boa durante todas as quedas.”

Visk conta que confiou no título da Deuses desde o início, porque nunca deixou de acreditar no seu elenco. 

“Enquanto pediam para tirar x ou z do time, eu pedia apenas paciência e confiança no meu trabalho, para que eu pudesse consertar os problemas. Hoje, como atual campeão da Copa NFA, eu tenho bastante orgulho da evolução que tivemos nos últimos tempos e estou muito animado para os campeonatos que estão por vir. Fico feliz que fizemos história e conquistamos o primeiro título da Deuses na NFA. Infelizmente não consegui ir para São Paulo e acompanhar o meu time, mas dei meu máximo enquanto trabalhei daqui de casa.”

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